Se a última década foi marcada pela conexão das máquinas (Internet of Things – IoT), a próxima será definida pela compreensão das pessoas que operam essas máquinas. Bem-vindo à era da Internet of Behavior (IoB), ou Internet do Comportamento. Na gestão de ativos e manutenção, a segurança do trabalho (SSMA) sempre foi uma disciplina reativa ou, no máximo, preventiva baseada em regras rígidas. Mas e se o software que gerencia suas ordens de serviço pudesse também “ler” o comportamento de risco antes que o acidente ocorresse?
A IoB não é ficção científica. Ela é a extensão lógica da digitalização industrial. Enquanto a IoT nos diz que “o motor superaqueceu” (dado do ativo), a IoB cruza essa informação com dados de interação humana para nos dizer: “o motor superaqueceu porque o operador ignorou o alerta de vibração três vezes consecutivas” ou “o técnico tentou acessar a área sem a Permissão de Trabalho digital assinada”.
Para gestores de manutenção e facilities que buscam a conformidade com a ISO 55001 e a proteção real de suas equipes, entender essa transição é vital. A segurança deixa de ser um checklist em papel esquecido na gaveta e torna-se um dado vivo, rastreável e preditivo.
O “Fator Humano” como Dado Estratégico (e não Culpa)
Historicamente, o “erro humano” é a causa raiz apontada em grande parte dos acidentes industriais. No entanto, essa rotulagem é preguiçosa. O erro humano é, na verdade, uma consequência de processos mal desenhados, fadiga, falta de treinamento ou complacência gerada pela rotina.
A Internet of Behavior entra para iluminar essas zonas de sombra. Ao utilizar o Manusis4 Mobile e o Plugin de SSMA, a interação do técnico com o sistema gera um rastro digital de comportamento. Não se trata de vigiar o funcionário para puni-lo, mas de identificar padrões que indicam vulnerabilidade.
Por exemplo:
- Padrão de Pressa: Um técnico que sistematicamente finaliza checklists de segurança de 15 itens em menos de 30 segundos. O sistema identifica que é humanamente impossível ler e verificar tudo nesse tempo. Isso é um dado de comportamento (IoB).
- Geolocalização e Risco: O técnico inicia uma ordem de serviço em um equipamento crítico, mas o GPS do dispositivo móvel indica que ele está a 500 metros do local. O Manusis4 bloqueia a ação, prevenindo que uma manutenção seja “simulada” ou feita sem a inspeção visual real.
Esses insights transformam a gestão de SSMA. Em vez de esperar o acidente para fazer uma análise de causa raiz, o gestor atua no desvio de comportamento.
Tendências 2025: A Digitalização da Segurança
O mercado global já aponta para essa integração total entre segurança e dados. Segundo o relatório de tendências do British Safety Council para 2025, o uso de tecnologia digital e conectada é um dos pilares centrais para a evolução do setor. O relatório destaca que a saúde e a segurança não podem mais operar em silos, desconectadas da operação diária e das ferramentas de gestão.
A tendência é clara: ferramentas que integram a segurança ao fluxo de trabalho (workflow) natural do funcionário terão adoção massiva. É o fim do “segurança versus produção”. Na era da IoB, segurança é parte da produção.
Como o Manusis4 Aplica IoB na Prática
No ecossistema Manusis4, a aplicação do conceito de IoB ocorre de forma orgânica através da nossa arquitetura mobile-first e dos módulos dedicados a SSMA. Não exigimos hardware futurista ou implantes cibernéticos; usamos o smartphone que já está no bolso do seu técnico para criar uma malha de dados comportamentais.
1. Permissão de Trabalho (PT) Digital e Bloqueante
O Plugin de Permissões de Trabalho do Manusis4 não é apenas um formulário digital. Ele atua como um gatekeeper (porteiro) do comportamento seguro.
- O Cenário IoB: Antes de liberar o botão “Iniciar Execução” na Ordem de Manutenção, o sistema obriga o preenchimento da PT. Se a atividade envolve “Trabalho em Altura”, o sistema exige a foto do cinto de segurança acoplado.
- O Ganho: O comportamento seguro deixa de ser opcional. O sistema impõe o comportamento correto através da interface. Se o dado (foto/checklist) não for inserido, o trabalho não existe digitalmente (e não é pago/contabilizado).
2. Auditoria de Tempo e Movimento
Através do Manusis Mobile, coletamos dados de timestamp (carimbo de tempo) granular. Sabemos exatamente quando o técnico chegou, quando iniciou o diagnóstico e quando encerrou.
- Análise Comportamental: Se uma troca de motor que leva em média 4 horas é feita em 45 minutos, o sistema gera um alerta de anomalia. Pode ser uma eficiência incrível ou, mais provável, um atalho perigoso nos procedimentos de segurança. O IoB permite que o gestor faça essa pergunta antes que o motor falhe novamente.
3. Gestão de EPIs e Conformidade
O Plugin de EPIs e Uniformes garante que a proteção física esteja disponível. Mas o IoB vai além: ele cruza a retirada do EPI com a execução da tarefa. Se um técnico retira luvas de alta tensão no almoxarifado, mas não tem nenhuma Ordem de Serviço elétrica agendada, o sistema pode indicar um desvio de processo ou uso indevido de material.
A Cultura da Prevenção Preditiva
A implementação de estratégias de IoB exige maturidade. Não se trata de criar um “Big Brother” industrial, mas de usar dados para proteger a vida. Quando a equipe de campo entende que o registro digital da Permissão de Trabalho é o que garante que a linha não será religada enquanto eles estão lá dentro, a adesão é imediata.
A tecnologia do Manusis4 atua como essa camada de proteção invisível. Ao digitalizar as Regras de Ouro da segurança, transformamos manuais estáticos em algoritmos ativos.
O Futuro é Conectado e Humano
Para 2026, a previsão é que a integração entre dados de saúde (como fadiga monitorada por wearables) e o CMMS seja ainda mais profunda. Imagine o Manusis4 impedindo a atribuição de uma tarefa de risco a um técnico que vem de três turnos dobrados consecutivos. Isso é IoB em sua essência: usar o dado para cuidar da pessoa.
Na sua empresa, a segurança é um departamento ou um comportamento? Com a tecnologia certa, ela pode ser ambos, integrados e inteligentes. A internet do comportamento não veio para substituir o julgamento humano, mas para dar a ele a melhor ferramenta possível: a verdade dos dados.
