A gestão de facilities (FM) historicamente operou sob um paradigma de suporte: manter as luzes acesas, o ambiente limpo e os equipamentos funcionando. No entanto, a virada para 2026 marca um ponto de inflexão definitivo onde a manutenção e o FM deixam de ser apenas centros de custo para se tornarem protagonistas nas estratégias de ESG (Environmental, Social, and Governance). O conceito de economia linear — extrair, produzir, usar e descartar — tornou-se insustentável não apenas do ponto de vista ambiental, mas financeiro e operacional.
A indústria moderna enfrenta o desafio de integrar a circularidade em suas operações diárias. Não se trata mais apenas de “reciclar”, mas de rastrear o ciclo de vida completo dos materiais que entram e saem de uma planta ou edifício corporativo. A gestão de resíduos, antes uma tarefa periférica de limpeza, agora exige dados, rastreabilidade e conformidade rigorosa. Neste cenário, a digitalização atua como o sistema nervoso que permite às organizações enxergarem o desperdício oculto e transformarem passivos ambientais em inteligência operacional.
O Manusis4, como um ecossistema integrado de Gestão de Ativos e Manutenção (EAM/CMMS), posiciona-se no centro dessa transformação. Ao digitalizar processos que antes eram geridos em planilhas ou papel, a plataforma permite que gestores de facilities controlem não apenas a manutenção de ativos físicos, mas também o fluxo de materiais e resíduos, alinhando a operação tática às metas estratégicas globais de sustentabilidade e eficiência.
Da Linearidade à Circularidade: O Novo Imperativo do Facility Management
A transição da economia linear para a circular exige uma reengenharia dos processos de Facility Management. No modelo tradicional, a responsabilidade do FM terminava quando o resíduo era removido das instalações. Na economia circular, o “descarte” é apenas uma etapa de um ciclo contínuo de revalorização. Isso impõe uma nova camada de complexidade sobre os gestores: a necessidade de garantir que os resíduos gerados sejam corretamente segregados, pesados, transportados e, fundamentalmente, reintroduzidos na cadeia produtiva sempre que possível.
Essa mudança de mindset requer ferramentas que suportem a granularidade dos dados. Saber que “1 tonelada de lixo foi removida” é insuficiente. É preciso saber quanto desse total era plástico reciclável, metal, orgânico ou resíduo perigoso, e qual foi o destino final de cada fração. Sem essa visibilidade, as empresas ficam expostas a riscos regulatórios e perdem oportunidades de receita através da venda de materiais recicláveis ou da otimização de compras.
A circularidade em facilities também toca na manutenção dos próprios ativos. A filosofia de “reparar em vez de substituir” é o coração da manutenção prescritiva e centrada em confiabilidade. Ao estender a vida útil de equipamentos através de planos de manutenção bem executados, o FM reduz a necessidade de fabricação de novas peças e o descarte prematuro de máquinas, contribuindo diretamente para a redução da pegada de carbono da organização (Escopo 3).
A Pressão do Mercado e a Visão da Verdantix para 2026
O mercado de tecnologia e sustentabilidade já sinaliza que a circularidade não é uma tendência passageira, mas um requisito de competitividade. As previsões para este ano indicam um endurecimento nas expectativas de stakeholders quanto à transparência de dados ambientais.
Segundo o relatório de previsões de ESG e Sustentabilidade para 2026, a Verdantix destaca que “a circularidade ganhará impulso”, impulsionada não apenas por regulação, mas por uma pressão crescente de clientes e investidores que exigem produtos e operações sustentáveis. A consultoria aponta que a gestão de dados de sustentabilidade deixará de ser baseada em estimativas anuais para se tornar um processo quase em tempo real, exigindo sistemas robustos de coleta e análise.
Para o gestor de facilities, isso significa que a capacidade de reportar dados precisos sobre gestão de resíduos e eficiência de recursos será tão crítica quanto reportar a disponibilidade de equipamentos. A falta de um sistema digital que consolide essas informações coloca a empresa em desvantagem, incapaz de comprovar suas práticas de ESG e vulnerável a auditorias. A “circularidade” citada pela Verdantix depende intrinsecamente da capacidade de rastrear o fluxo de materiais dentro da operação, algo impossível de realizar com eficiência utilizando métodos manuais.
Operacionalizando a Sustentabilidade no Chão de Fábrica
A teoria da economia circular muitas vezes esbarra na realidade dura da operação diária. Como garantir que as práticas de segregação e controle sejam seguidas no chão de fábrica ou nos andares de um escritório? A resposta está na integração dos processos de sustentabilidade aos fluxos de trabalho operacionais já existentes.
A FreshGround reforça que as tendências de ESG para 2026 incluem a necessidade crítica de “abordar sistemas de resíduos dentro das operações de negócios”. A análise sugere que a sustentabilidade deve deixar de ser um departamento isolado e permear as decisões operacionais, como a escolha de fornecedores que aceitem logística reversa ou a implementação de sistemas de controle de descarte no ponto de geração.
Na prática, isso significa que o técnico de manutenção ou a equipe de limpeza devem ter em mãos ferramentas móveis que facilitem o registro correto do descarte. Se um técnico troca um motor, o sistema deve orientar o destino correto do equipamento antigo. Se a equipe de facilities recolhe resíduos, a pesagem e a tipificação devem ser registradas no mesmo aplicativo usado para fechar a ordem de serviço. Essa fusão entre operação e sustentabilidade é o que transforma políticas corporativas em resultados reais.
Custos Invisíveis: Onde o Dinheiro Escorre pelo Lixo
Um dos maiores inimigos da rentabilidade na gestão de ativos e facilities são os chamados “Custos Invisíveis”. No contexto de resíduos, esses custos se manifestam de diversas formas: pagamento por caçambas que são recolhidas sem estarem cheias, multas por descarte incorreto misturado ao lixo comum, ou a perda de receita ao não segregar materiais valiosos como cobre ou alumínio.
Muitas organizações pagam pelo gerenciamento de resíduos com base em estimativas ou contratos fixos, sem auditar o volume real gerado. Sem um sistema de gestão, não há como identificar picos de geração de resíduos em áreas específicas, o que poderia indicar falhas no processo produtivo ou desperdício de matéria-prima. O lixo, nesse sentido, é um sintoma de ineficiência operacional.
Além disso, a gestão ineficiente de resíduos consome horas de trabalho da equipe de facilities em tarefas manuais de controle, preenchimento de manifestos de transporte e consolidação de planilhas para relatórios mensais. O Manusis4 ataca diretamente essa dor ao automatizar o fluxo de dados. Ao eliminar a “caixa preta” da gestão de resíduos, a organização ilumina esses custos invisíveis e pode atuar para reduzi-los, transformando uma despesa operacional em uma linha de eficiência financeira.
Gestão de Resíduos 4.0: O Papel do Manusis4 Facilities
Para endereçar esses desafios, o ecossistema Manusis4 desenvolveu funcionalidades específicas dentro do seu plugin de Gestão de Facilities. A plataforma, conhecida por sua filosofia “Tecnologia com alma de chão de fábrica”, traduz a complexidade da legislação ambiental e das demandas de circularidade em fluxos de trabalho simples e executáveis via mobile.
O plugin de Gestão de Resíduos do Manusis4 permite o cadastramento detalhado de todos os tipos de resíduos gerados, pontos de coleta e transportadores homologados. Através do aplicativo móvel, as equipes podem registrar a retirada de resíduos com evidências fotográficas, leitura de QR Codes e assinatura digital, garantindo a rastreabilidade total desde a geração até a destinação final. Isso cria um “gêmeo digital” do fluxo de resíduos.
Além do controle operacional, a ferramenta permite a gestão de contratos de terceiros (empresas de coleta), monitorando SLAs e garantindo que apenas fornecedores com licenças ambientais válidas operem na planta. O sistema gera alertas automáticos sobre vencimentos de licenças e desvios nas metas de reciclagem. Com a integração nativa aos módulos de manutenção, é possível correlacionar, por exemplo, o aumento no descarte de óleo lubrificante com falhas recorrentes em determinados ativos, fechando o ciclo de análise entre manutenção e meio ambiente.
Estratégia ESG como Alavanca de ROI
A implementação de uma gestão de resíduos digital e auditável via Manusis4 não é apenas uma medida de conformidade (“green tape”), mas uma estratégia de retorno sobre investimento (ROI). Ao centralizar a gestão de ativos e facilities em uma única plataforma, as empresas eliminam a fragmentação de dados e ganham poder de decisão.
A visibilidade proporcionada pelo sistema permite renegociar contratos de coleta com base em dados reais de volume, identificar oportunidades de venda de resíduos e reduzir drasticamente o tempo administrativo gasto em relatórios de sustentabilidade. Em um cenário onde a Verdantix e outros analistas apontam para a circularidade como o novo padrão de mercado, ter o Manusis4 é garantir que sua operação esteja preparada não apenas para cumprir normas, mas para liderar pelo exemplo de eficiência.
A economia circular em facilities é o próximo passo na jornada de maturidade da gestão de ativos. Ela exige que deixemos de olhar para o lixo como um problema a ser escondido e passemos a vê-lo como um fluxo de recursos a ser gerenciado. Com a tecnologia certa, o chão de fábrica e a gestão de facilities tornam-se os principais agentes dessa transformação sustentável e lucrativa.
